Como complementação do post anterior, divulgo opinião de Roberta Sudbrack, direto de Cannes, exposta no Blog da Luciana Fróes (O Globo), acerca da nova tendência da cozinha francesa, que tem surgido como reação ao excesso de invenções da cozinha espanhola, de Adriá e seus Bulli's.
Fumaças, infusões, espumas, laquês e desidratações (chegando a cardápios para cheirar e lamber) já não impressionam tanto, e o retorno ao 'básico' parece ser uma tendência.
Tanto é assim que na França já há uma espécie de movimento: o bistronomique, como uma volta ao tradicional da gastronomia. Comida para ser degustada por pessoas comuns, com qualidade e sabor.
É questão de acessibilidade... Nas palavras da Chef Roberta Sudbrack, in Luciana Fróes:
"Acho que o boom da culinária espanhola remexeu a cozinha francesa em dois sentidos aparentemente opostos. O primeiro foi que alguns chefs deixaram de lado suas escolas originárias e se seduziram por fumaças, espumas e desidratações e aí não conseguiram fazer nem o que os espanhóis estavam fazendo, nem o que os franceses sempre fizeram - como em nenhuma outra cultura - que é transformar a comida no quarto fundamento francês, ao lado de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Ou seja, bandearam-se por um caminho de excessos e afetação que abalou as certezas francesas.
O segundo sentido e que está presente no terroir Francês - estou em Cannes representando o Brasil no Festival Internacional de Gastronomia de lá e percebo - e vem contaminando, a meu ver, muito positivamente Paris de maneira crescente, tem a ver com acessibilidade. É o que eles chamam de bristonomique - o mesmo que estou fazendo com a idéia da terça básica e penso em ampliar ainda mais o ano que vem - o desafio de fazer uma comida de qualidade e possível de ser degustada, acessível para um número maior de pessoas. Acho que essa é a tendência - que não nasceu lá, mas ganhou muita força - que vai permanecer na gastronomia francesa depois de um furacão de tendências. Aos poucos, os franceses vão fazendo como os italianos, que deram de ombros para todas essas novidades. Os franceses sabem que são donos de uma grande sabedoria culinária responsável por transformar a comida em uma instituição cultural. Não precisam provar nada para ninguém. Esse orgulho está novamente se arrumando e com uma pitada super positiva, com menos esnobismo.”
E viva a comida de bistrô!
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário